terça-feira, 7 de abril de 2009

domingo, 5 de abril de 2009

Calendário de Reuniões

Informamos que, nossa próxima reunião acontecerá na próxima segunda-feira, após o feriado da Semana Santa. Ficou acordado com os integrantes do grupo, que nossas reuniões acontecerão às segundas-feiras, com excessão da primeira semana de cada mês que ocorrerá da sexta-feira.

quinta-feira, 26 de março de 2009

INFORMES

  1. Os textos citados no último encontro, recomendados para leitura e discussão na próxima segunda-feira, estarão à disposição do grupo na Xerox da Gentil Bittencourt, entre Av. Serzedelo Corrêa e Rua Dr. Moraes, defronte o cemitério, em nome de Alexandre Azevedo.
  2. A reprodução do filme o Sétimo Selo estará disponível nesta quinta-feira à tarde no Atelier Espaço Cabano

quinta-feira, 19 de março de 2009

CONVITE

O grupo OCA (Organização Integrada e Conhecimento pela Arte) convida você para um debate temático interdisciplinar em torno da idéia e das representações da MORTE.

Local: Atelier Espaço Cabano
Endereço: Trav. Campos Sales esq/ com rua Fiúza
Perímetro: Entre Rua Carlos Gomes e Av. Tamandaré
Dia: Sextas-feiras
Horário: 19:00h às 21:00h

Obs: A fim de custear a organização e o apoio aos encontros, estaremos cobrando uma valor de R$10,00 por encontro ou R$30,00 correspondentes a 4 encontros mensais e/ou outros a combinar.


Grupo OCA

REFLEXÃO

A partir da idéia da morte como algo recalcado, se propõe a discussão de dois pontos de reflexão: a idéia de recalque da morte para a psicanálise e a possibilidade de ressignificação desta nas representações da arte.


Alexandre M. F. de Azevedo

A Morte: Um problema dos vivos



Parte II

Leitura da obra ‘A solidão dos Moribundos’, de Norbert Elias [1]. Segundo o autor, entre as muitas criaturas que morrem na Terra, a morte constitui um problema só para os seres humanos; dito de outro modo, é um problema dos vivos. Nas primeiras linhas do referido ensaio, ele revela que “o fim da vida humana, que chamamos de morte, pode ser mitologizado pela idéia de uma outra vida no Hades ou na Valhalla, no Inferno ou no Paraíso. Essa é a forma mais antiga e comum dos seres humanos enfrentarem a finitude da vida. Podemos tentar evitar a idéia da morte afastando-a de nós tanto quanto possível – encobrindo e reprimindo a idéia indesejada - ou assumindo uma crença inabalável em nossa própria imortalidade : “os outros morrem, eu não”.
Para o autor, “o isolamento precoce dos velhos e dos moribundos é uma das fraquezas nas sociedades mais avançadas e é cada vez mais freqüente”;
“A experiência da morte é variável e específica segundo os grupos e diferi de sociedade para sociedade”; “A idéia da morte e dos rituais correspondentes tornam-se um aspecto da socialização, podendo unir ou separar grupos de acordo com suas crenças”.
[1] Elias, Norbert. A solidão dos moribundos seguido de envelhecer e morrer. Rio de Janeiro: Jorge Zahar Ed., 2001

A Morte como Conceito na Psicanálise


A Morte como Conceito na Psicanálise – Parte I

“A finalidade de toda vida é a morte”

A triste experiência da Primeira Grande Guerra Mundial (1914-1918) fez descer uma nuvem sombria sobre o cientista que havia tirado o psiquismo humano das trevas: a criança não é tão inocente quanto se supunha, ela fantasia, é um perverso polimorfo, é incestuosa e parricida – sexualidade infantil; estamos desterrados de nós mesmo, daquilo que em mim verdadeiramente deseja – o inconsciente, e a energia que nos move, nasce no corpo e desabrocha no psiquismo – pulsão. A humanidade jamais tomaria a si própria como antes.

Os veteranos da Grande Guerra sentem-se compelidos a repetir. Repetem os sofrimentos passados nas trincheiras da pior das guerras. A dor repetida, o sofrimento repetido, o desconforto repetido, a culpa repetida, a criança repete seu desamparo no jogo do for-da: há um demônio nesta repetição, um primitivo ali escondido. Como repetir a dor se em tudo o que é vivo há um principio de vida, um principio de prazer, um Eros helênico – o Deus que tudo une, que luta pela gratificação, pela superação de todas as barreiras e que mantêm vivo indivíduo e espécie? O seio deste paraíso guarda uma serpente.

Este mesmo Eros, esta mesma força vital pode colocar o individuo em perigo quando ele está a serviço de sua espécie, ou a própria espécie em perigo, quando o individuo coloca-se em primeiro plano – um principio de morte se anuncia, um Thânatos grego – o Deus que tudo extingue. Tudo o que é vivo quer morrer – o principio do prazer levado ao extremo na sua meta remover tudo o que é desprazer, até o fim, nenhuma dor, nenhuma angústia, nenhuma excitação, o organismo e o psiquismo levados a sua origem: morte.

A pulsão de morte “não pode estar ausente de nenhum processo de vida”[1] e “da ação conjunta e oposta”[2] destes dois conjuntos de pulsões “provêm as manifestações da vida, às quais a morte vem pôr termo”[3], morte e vida, sendo uma o principio e, ao mesmo tempo, o fim da outra. “O conflito entre as duas pulsões primárias, pulsão de vida e pulsão de morte, explica a variedade colorida dos fenômenos da vida, e nunca somente uma delas”[4]. E se ele começa como médico ouvindo seus pacientes com traumas de guerra, termina como filósofo: “as pulsões são serem míticos, portentosos (...)” e que “a teoria das pulsões é, por assim dizer, a nossa mitologia”[5]. Eros e Thânatos. Velhos deuses por fim reunidos pelo velho ateu.

O psiquismo humano é um campo de batalha e a psicanálise definitivamente não viria para consolar. O ano é 1920, o titulo do pequeno livro é Além do Principio do Prazer[6], e o autor é Sigmund Freud.

Sérgio Vizeu Lima Pinheiro
[1] Freud, S., Novas Conferências Introdutórias sobre Psicanálise, (1933), Edição Standart Brasileira das Obras Psicológicas Completas de Sigmund Freud (E.S.B.), Vol. XXII, Imago Editora, Rio de Janeiro, (2006).
[2] Idem, Op. Citi.
[3] Idem, Ibidem
[4] Idem, Ibidem
[5] Freud, S., Por Que a Guerra?, (1933), E.S.B., Vol. XXII, Imago Editora, Rio de Janeiro, (2006).
[6] Freud, S., Além do Principio do Prazer, (1920), E.S.B., Vol. XVIII, Imago Editora, Rio de Janeiro, (2006).